literatura brasileira; origens
- 9 de nov. de 2017
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O estudo sobre as origens da literatura brasileira deve ser feito levando-se em conta duas vertentes: a histórica e a estética.
Quinhentismo (século XVI)
Representa a fase inicial da literatura brasileira, pois ocorreu no começo da colonização. Representante da Literatura Jesuíta ou de Catequese, destaca-se Padre José de Anchieta com seus poemas, autos, sermões cartas e hinos. O objetivo principal deste padre jesuíta, com sua produção literária, era catequizar os índios brasileiros. Nesta época, destaca-se ainda Pero Vaz de Caminha, o escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral. Através de suas cartas e seu diário, elaborou uma literatura de Informação (de viagem) sobre o Brasil. O objetivo de Caminha era informar o rei de Portugal sobre as características geográficas, vegetais e sociais da nova terra.
Barroco (século XVII)
Essa época foi marcada pelas oposições e pelos conflitos espirituais. Esse contexto histórico acabou influenciando na produção literária, gerando o fenômeno do barroco. As obras são marcadas pela angústia e pela oposição entre o mundo material e o espiritual. Metáforas, antíteses e hipérboles são as figuras de linguagem mais usadas neste período. Podemos citar como principais representantes desta época: Bento Teixeira, autor de Prosopopeia; Gregório de Matos Guerra (Boca do Inferno), autor de várias poesias críticas e satíricas; e padre Antônio Vieira, autor de Sermão de Santo Antônio ou dos Peixes.
Neoclassicismo ou Arcadismo (século XVIII)
O século XVIII é marcado pela ascensão da burguesia e de seus valores. Esse fato influenciou na produção das obras desta época. Enquanto as preocupações e conflitos do barroco são deixados de lado, entra em cena o objetivismo e a razão. A linguagem complexa é trocada por uma linguagem mais fácil. Os ideais de vida no campo são retomados (fugere urbem = fuga das cidades) e a vida bucólica passa a ser valorizada, assim como a idealização da natureza e da mulher amada. As principais obras desta época são: Obra Poética de Cláudio Manoel da Costa, O Uraguai de Basílio da Gama, Cartas Chilenas e Marília de Dirceu de Tomás Antonio Gonzaga, Caramuru de Frei José de Santa Rita Durão.
Romantismo (século XIX)
A modernização ocorrida no Brasil, com a chegada da família real portuguesa em 1808, e a Independência do Brasil em 1822 são dois fatos históricos que influenciaram na literatura do período. Como características principais do romantismo, podemos citar : individualismo, nacionalismo, retomada dos fatos históricos importantes, idealização da mulher, espírito criativo e sonhador, valorização da liberdade e o uso de metáforas. As principais obras românticas que podemos citar: O Guarani de José de Alencar, Suspiros Poéticos e Saudades de Gonçalves de Magalhães, Espumas Flutuantes de Castro Alves, Primeiros Cantos de Gonçalves Dias. Outros importantes escritores e poetas do período: Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire e Teixeira e Souza.
Realismo - Naturalismo (segunda metade do século XIX)
Na segunda metade do século XIX, a literatura romântica entrou em declínio, juntos com seus ideais. Os escritores e poetas realistas começam a falar da realidade social e dos principais problemas e conflitos do ser humano. Como características desta fase, podemos citar: objetivismo, linguagem popular, trama psicológica, valorização de personagens inspirados na realidade, uso de cenas cotidianas, crítica social, visão irônica da realidade. O principal representante desta fase foi Machado de Assis com as obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro e O Alienista. Podemos citar ainda como escritores realistas Aluísio de Azedo autor de O Mulato e O Cortiço e Raul Pompéia autor de O Ateneu.
Parnasianismo (final do século XIX e início do século XX)
O parnasianismo buscou os temas clássicos, valorizando o rigor formal e a poesia descritiva. Os autores parnasianos usavam uma linguagem rebuscada, vocabulário culto, temas mitológicos e descrições detalhadas. Diziam que faziam a arte pela arte. Graças a esta postura foram chamados de criadores de uma literatura alienada, pois não retratavam os problemas sociais que ocorriam naquela época. Os principais autores parnasianos são: Olavo Bilac, Raimundo Correa, Alberto de Oliveira e Vicente de Carvalho.
Era Colonial
A Era colonial da literatura brasileira começou em 1500 e foi até 1808, sendo dividida em Quinhentismo (século XVI), Seiscentismo ou Barroco (1601 - 1768) e o Setecentismo ou Arcadismo (1768 - 1808).
Modernismo
O Modernismo no Brasil é marcado pela Semana de Arte Moderna de 1922, ocorrida em São Paulo. É o limite entre o fim e o início de uma nova era na literatura nacional e nas artes como um todo.
Setecentismo ou Arcadismo
Período que se estende e 1768 a 1808 e cujos principais autores estão intimamente ligados ao movimento da Inconfidência, em Minas Gerais.
Agora, o pano de fundo é a economia ligada à exploração do ouro, das pedras preciosas e o relevante papel desempenhado pela cidade de Vila Rica (Ouro Preto).
Saiba mais sobre o Arcadismo.
Pré-modernismo (1902 até 1922)
É a transição de estilos antes da Semana de Arte Moderna. É calcado no estilo coloquial, regionalismo, positivismo e valorização dos problemas sociais. Exemplos dessa época são nomes como o de Euclides da Cunha, Augusto dos Anjos e Monteiro Lobato.
Pós-Modernismo (Dos anos 50 até hoje)
Esse tipo de literatura é o que perdura até os dias de hoje. Tem como base elementos que marcam o capitalismo contemporâneo, influenciado pelos meios tecnológicos, inovações científicas e pelas atitudes do homem pós-moderno. O sentimento é de liberdade imensa, com opções infinitas de possibilidades.
José de Anchieta
José de Anchieta nasceu em Tenerife, uma das Ilhas Canárias, em 1534. Filho dos nobres João Lopez de Anchieta e Mência Dias de Clavijo y Lerena, esta descendente dos conquistadores de Tenerife. Sendo alfabetizado em casa, ingressa depois na escola dos dominicanos. Na adolescência, mais precisamente aos 14 anos, viaja a Coimbra em companhia de seu irmão mais velho, matriculando-se no curso de Humanidades e Filosofia Real Colégio das Artes. Passados dois anos, candidata-se ao Colégio da Companhia de Jesus e, no ano seguinte, é aceito como noviço.
Em 1553, com 19 anos, vem ao Brasil em missão jesuítica pela catequese dos nativos chefiada pelo Padre Luís de Grã, integrando a frota do governador-geral Duarte da Costa. A ação catequética, com a meta de catequizar os índios Carijós, abarca de São Vicente aos campos de Piratininga. Na companhia do condiscípulo Manuel de Nóbrega, desbrava a Serra do Mar, em direção ao Planalto, se instalando em Piratininga, onde funda o Colégio Jesuíta.
No início do próximo ano, em 24 de janeiro de 1554, dia da conversão do Apóstolo Paulo, Anchieta celebra uma missa em memória do santo, o que é considerado como o marco inicial da fundação da cidade de São Paulo, dado o povoado que logo depois se instala.
Em 1555, período das invasões francesas, integra a luta para expulsão dos inimigos, que, no mesmo ano, invadiram o Rio de Janeiro, conquistando o apoio dos índios tamoios. Posteriormente, Anchieta teria um papel destacado no acordo com a tribo, integrando a missão de paz que parte de São Vicente em 1563. Quatro anos depois, em 18 de janeiro de 1567, os franceses são expulsos do Brasil.
Com 43 anos, sendo 24 passados no Brasil, Anchieta é designado como Provincial, o posto mais alto da Companhia no Brasil, com o objetivo de administrar os Colégios Jesuítas de todo país. Em suas viagens, que passam a ser constantes, viaja para várias cidades, entre elas Santos, Rio de Janeiro, Santos e Olinda.
José de Anchieta aprendeu a língua tupi, o que mais tarde lhe permitiu escrever a Gramática tupi, que seria usada em todas as missões dos jesuítas.
Entre suas obras, destacam-se, destacam-se as Poesias redigidas em português, castelhano, latim e tupi. Os poemas envolvem tanto temas religiosos como sociais e humanitários, advindos da experiência de décadas com a população indígena. Entre esses escritos, o mais célebre é o Beata Virgine, poema dedicado à Virgem. Em 1954, na comemoração do IV centenário da cidade, os poemas de Anchieta são traduzidos e transcritos pela pesquisadora Maria de Lourdes de Paula Martins, sendo posteriormente editados e publicados. Além das poesias, destaca-se também a obra em prosa, presente nas Cartas Jesuíticas.
Em 1597, aos 63 anos e já doente, o padre dirige-se a Reritiba (atual Anchieta), aldeia que fundara no Espírito Santo, onde passa seus últimos dias. Seu falecimento viria a ocorrer no dia 9 de junho do mesmo.
José de Anchieta passou à História da Colônia como exemplo de vida espiritual notável, dadas as condições adversas em que foram exercidas, destacando-se pelo zelo religioso e a sensibilidade humana. Em 3 de abril 2014, foi canonizado pelo Papa Francisco.










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